Notícia

Segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Alta dos juros reposiciona o consórcio como caminho para investir e adquirir bens em 2026

Alta dos juros reposiciona o consórcio como caminho para investir e adquirir bens em 2026Redação - Foto: Divulgação

A permanência dos juros em níveis elevados e a maior seletividade do crédito bancário estão levando investidores e consumidores a rever a forma de adquirir bens e estruturar patrimônio para 2026. Nesse cenário, o consórcio vem sendo reposicionado como alternativa de investimento e compra planejada, combinando previsibilidade, ausência de juros e maior controle financeiro. 


Apenas no primeiro quadrimestre de 2025, o setor registrou a venda de 1,61 milhão de cotas, crescimento de 19,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, com R$141 bilhões movimentados, segundo dados consolidados do mercado.


O avanço ocorre em um ambiente no qual o financiamento tradicional perdeu atratividade. Com taxas elevadas, prazos longos e maior exigência de garantias, o crédito bancário passou a pressionar o custo final de imóveis, veículos e outros bens de alto valor. Diante disso, o consórcio deixou de ser visto apenas como alternativa para quem não consegue financiar e passou a integrar o planejamento financeiro de quem busca organizar compras futuras e alocar capital de forma mais eficiente.


Dados do Banco Central reforçam essa mudança de perfil. A carteira de consórcios fechou 2024 com crescimento de 17,6%, enquanto a inadimplência permaneceu em 2,35% em dezembro, um dos patamares mais baixos entre as modalidades de crédito disponíveis no país. O resultado indica maior disciplina financeira dos participantes e maior aderência do produto à capacidade de pagamento das famílias e investidores.


Para Juciel Oliveira, educador financeiro, estrategista patrimonial e CEO da Monteo, o desempenho reflete um amadurecimento na relação do brasileiro com o crédito. “O consórcio passou a ser uma decisão de alocação de capital. Em vez de assumir juros elevados no financiamento, o investidor constrói poder de compra ao longo do tempo e escolhe o momento mais adequado para adquirir um bem ou consolidar patrimônio”, afirma.


A flexibilidade da carta de crédito é um dos fatores que explicam esse reposicionamento. Ao ser contemplado, o participante não é obrigado a usar o crédito imediatamente, o que permite aguardar melhores condições de mercado, negociar preços ou direcionar a aquisição de acordo com a estratégia patrimonial. Essa característica tem atraído tanto quem planeja a compra do primeiro imóvel quanto investidores que estruturam aquisições futuras de forma mais racional.


Outro ponto de destaque é a previsibilidade. Diferentemente do financiamento, cujo custo total varia conforme taxas e prazos, o consórcio permite ao participante saber exatamente quanto será desembolsado ao longo do tempo. Em um ambiente de incerteza econômica, essa previsibilidade passa a ser vista como vantagem competitiva no planejamento financeiro.


Segundo Oliveira, a modalidade tende a ganhar ainda mais relevância no próximo ciclo. “Com juros altos e crédito mais restrito, o consórcio se encaixa na lógica de quem pensa no médio e longo prazo. Ele não força decisões imediatas, preserva a liquidez e permite que a aquisição de bens faça parte de um projeto financeiro estruturado”, diz.


Com a expectativa de manutenção de juros elevados ao longo de 2026, analistas do setor avaliam que o consórcio deve seguir avançando como alternativa para investir e adquirir bens sem comprometer o orçamento ou assumir custos financeiros excessivos. O movimento sinaliza uma mudança estrutural: o consórcio deixa de ocupar um papel secundário e passa a integrar o portfólio de planejamento patrimonial de investidores atentos ao custo do dinheiro e à eficiência na alocação de capital.


Seis dicas para quem quer começar a usar o consórcio em 2026


Encare o consórcio como planejamento, não como impulso


Antes de contratar, é fundamental definir o objetivo imóvel, veículo ou formação de patrimônio e o horizonte de tempo. O consórcio funciona melhor quando faz parte de um plano financeiro claro.
Avalie o impacto das parcelas no orçamento real
Mesmo sem juros, o consórcio exige disciplina. As parcelas precisam caber no fluxo de caixa com margem de segurança, considerando outros compromissos e eventuais imprevistos.
Saiba escolher a contratação e a administradora
Verifique se a administradora é autorizada pelo Banco Central, análise a taxa de administração, o fundo de reserva, os critérios de reajuste das parcelas e as regras de desistência ou transferência da cota. Ler o regulamento é essencial para evitar surpresas ao longo do contrato.
Entenda que contemplação não significa uso imediato
A carta contemplada pode ser utilizada de forma estratégica. Em muitos casos, aguardar o momento mais favorável do mercado aumenta o poder de negociação e o potencial de valorização do bem.
Acompanhe a cota de forma ativa durante todo o processo
Manter acesso ao portal da administradora, acompanhar assembleias, sorteios, lances e prazos, evitar atrasos, perda de oportunidades e entraves após a contemplação.


Busque orientação especializada desde o início


Segundo Juciel Oliveira, “os maiores problemas do consórcio não estão na contratação, mas na falta de acompanhamento ao longo do caminho”. O suporte técnico ajuda a alinhar expectativas, organizar documentos e transformar o crédito em patrimônio de forma eficiente.


O consórcio tende a se consolidar em 2026 como uma das principais ferramentas de planejamento financeiro. “Quando bem contratado e acompanhado, deixa de ser apenas uma compra parcelada e passa a ocupar papel estratégico na construção e preservação do patrimônio”, conclui Juciel.